quarta-feira, 27 de julho de 2016

Desabafos

Estou com medo.

Não quero que o sofrimento esteja presente seja de um lado ou de outro. 
Tenho também receio de estar a agir por carência o que não me permite ponderar com a maior clareza. Se bem que no final de contas acho que é preciso um pouco de imprevisibilidade. É daí que advém a experiência.

Estou sozinho há cerca de um ano. É algo que não me incomoda, principalmente por tudo o que aprendi, mas faz falta. Para o teu ego, para o teu bem-estar, para a tua sanidade mental.

Creio que o facto de trabalhar à noite também influencia todo este misto de sentimentos que se vai propagando. É essa uma das razões da minha saída. 

Quero voltar a ter uma vida.
Acima de tudo quero poder partilha-la com alguém.
Tenho medo de a conhecer bem e de gostar. Uma rapariga daquela idade tem ainda muito para viver e sei perfeitamente que a minha entrada na vida dela só irá perturbar esse caminho e, no final dessa perturbação o lesado serei eu.

Tudo isto me leva a concluir que realmente o ser humano consegue ser uma grande merda para si próprio. Deixa de viver com medo do que pode acontecer e ao mesmo tempo tem medo de não viver.

Tenho medo de voltar a abrir a porta, sentir a luz de um final de tarde que se faz passar pela manhã mas que em pouco tempo faz soar a brisa gélida da noite.

Os demónios da noite são meus conhecidos. Sentem o arrepiar de cada pêlo e logo se manifestam em forma de oxigénio, denso como a àgua, pesado como uma âncora e duradoura como as profundidades do céu.

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