sábado, 26 de setembro de 2015

Não passou do esboço





Quando surge um novo amor, para um homem é como um abre olhos.
A visão altera, a perspetiva sucumbe à mudança, até a do homem mais gélido, insípido e amargo.
O mundo muda de cor e a primavera chega, manifestando-se através das borboletas na barriga, os pensamentos fluem como música, a tenacidade vem ao de cima como o azeite sobre a água, a força multiplica, os desejos intensificam-se...
Mas há algo que tarda em vincar no começo de uma relação, nomeadamente a atitude, o poder de decisão, o que e quanto estamos dispostos a sacrificar, o nosso esforço. Algo normal, que não deveria ser.

Puro como é o AMOR, não deveria ser tratado como um JOGO, um braço de ferro para determinar quem leva a melhor.
O amor só deve provocar egoísmo em prol dos DOIS.

Escusado será dizer que não é possível quantificar o AMOR, mas facto é que o sentimento é diferente em cada um dos intervenientes. A importância que um dá ao amor varia muito consoante a sua experiência de vida, os seus princípios, as suas ideologias, condicionado também, pelos medos, preconceitos, auto-estima...

Obviamente que, para que exista uma relação verdadeira e saudável, um precisa de amor próprio, respeito a si mesmo. Só assim poderá abraçar a sua metade.

Olho para os sujeitos e vejo, cada um como peças de um puzzle. Poderia dizer que nem todas as peças se encaixam, mas a minha noção é um pouco diferente.
Com o passar do tempo e contando experiências passadas, as peças são algo que, limadas, até se conseguirem encaixar, com o mesmo sujeito,
É exequível.

Mas então porque as relações falham quando o sentimento é verdadeiro?
Na minha opinião, a linha que separa o sucesso do fracasso é a capacidade e a limitação da mesma que cada um tem para lidar com os constantes obstáculos.
Encontrar um equilíbrio, isso sim acho impossível, mas uma relação não se rege pelo equilíbrio e sim pela capacidade de se levantar, aprender, fazer melhor e lutar.
Essas capacidades são infinitas quando existe cumplicidade, sinceridade e uma total abertura.
Não se coloca em questão a priorização, mas sim a entrega.
Não é necessário colocar de parte os nossos objetivos e obrigações para uma relação funcionar. É preciso sim, dar tudo!

Algo bonito nas relações é o facto de nada estar definido, nada ser previsível, tudo se constrói e é passível a mudanças, ou seja, o resultado final é e sempre será da autoria de quem trabalhou na mesma. Não há como atribuir culpa a terceiros.

Trágico é, quando os pilares não seguram o frontão.
Como se diz na gíria portuguesa, "pau que nasce torto nunca se endireita".



Antes que seja tarde, antes que me desfaças em pedaços e faças com que, na minha mente, as más memórias pesem mais que as boas, eu desisto. Desisto de algo que não tem futuro. Não vejo em ti a capacidade de lutar, ironicamente, sendo tu uma mulher guerreira. Esperei, em ultima instância que me provasses o contrario, como só tu sabes fazer, com PALAVRAS, mas nem assim. Sempre na defensiva e com medo de alguém que, no máximo, te atingiria com todo o seu SER, AMOR e AFETO.

 Desisto por amor, antes que tu desistas por cansaço. Não obstante à minha decisão, sabe que, foste sem dúvida a menina mais marcante da minha história.

Na caixa preta da minha memória, serás a gravação mais reveladora.
No índice da minha biografia, estarás a negrito, bem salientada.
Pena que o capítulo acabe a desvanecer, cheio de tristeza.

Com asterisco estará marcada a palavra felicidade mas referência de rodapé estará em branco, pois nem sei descrever o que sinto ao ver que não foste "capaz de mudar de continente por alguém que iria até ao fim do mundo por ti".

Existe ressentimento, o que me incomoda.
Existe da tua parte também, o que me incomoda.
Pois uma ferida mal curada pode causar DOR para o resto da vida.