domingo, 10 de dezembro de 2017

Uma âncora, um dedo, um marcador.

Voltei na expectativa de encontrar novamente.

Tentei, insisti e esperei.

Parei, desisti e acabei...

Acabei com a esperança de que tudo não passara de uma fase.
Uma fase onde nos encontrámos no timing errado, com maturidades incompatíveis e situações de vida opostas, culminando em rotura.

Desapeguei-me e preguei inúmeras vezes que não iria nunca voar atrás.
Acontece que voo rente ao sol e só aceito perder as asas por algo que não me faça querer voltar a voar.

Pois acabei voando atrás, na contradição.
Hoje estou com os pés assentes na terra.
Conheci a ilusão.
Curiosidade sobre a a integridade da coisa, parece tão intocável, chega a ser rude.
Mas é assim que funciona a aparência, ilude.

Mostra-me as tuas virtudes e os teus discursos assertivos, com isso só demonstras que não estás bem. Expectável.


Pára de remar contra a maré, solta-me que te travo.
Lê rápido, eu folheio por ti.
E quando chegar a altura eu marco-te a página só para te recordar o que passou, não pelo que significou, mas porque passou.


As cobranças podem ser a prazo, mas são executadas.
O karma EXISTE e quem semeia ventos colhe tempestades.


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Um ponto no mundo





Trabalhar durante a noite dá um outro sentido à expressão "ficar a falar sozinho"  e deparo-me com contradições que nem eu próprio me tinha apercebido.
Chegam a ser momentos de alguma aflição, por haver um replay de memórias que não favorecem muito o meu estado de espirito mas no final de contas acabam por se tornar num beneficio.

Eu, pessoalmente tive sempre a noção de que via a vida de maneira diferente, que não esperava as mesmas coisas que os outros, nem me identificava com o chamado padrão.
Cheguei até a pensar que era insana, esta linha de pensamento e, sempre procurei pessoas que compartilhassem dessa mesma insanidade muito pelo facto de me sentir deslocado, sem rumo.
Não percebia como podia ser tão diferente dos outros, não que isso implicasse ser melhor ou pior.

A verdade é que a beleza da vida está em partilhar pensamentos com aqueles que denotam ser completamente opostos.
Ter uma perspetiva dos dois mundos e sentir sempre que são um complemento à tua realidade.
As pessoas que te podem surpreender e que te fazem vislumbrar uma cor diferente no horizonte.
Esse é o verdadeiro significado de dar cor à vida, sem nunca ter de pegar num pincel.

Estranho, sentir que sou um ponto no mundo mas um ponto com o mundo nas mãos.
Saber que posso viver à minha medida, sem que me meçam aos palmos.
Saber que quem me quer tirar importância elevando-me ao julgamento, no fundo, só me atribui mais importância.


Encarar a vida como se de ouro se tratasse, não por ser rica, valiosa, ou cobiçada mas sim por não existir nada mais maleável.

Saber que tudo é transponível, desde que tenhamos a capacidade olhar para além do que os olhos vêm e interiorizar que as coisas são tão difíceis quanto as fazemos, sendo que, umas são ultrapassáveis, outras passíveis de conquista.


Eu vou, seguramente ultrapassar tudo o que me quiser ancorar, conquistar aquilo que almejo e, podia até dizer que não preciso de ninguém, o que seria uma inverdade.
Preciso, sim, de quem precisa de mim.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Implosão

Com as experiências de vida cada um aprende à sua maneira. Existe sempre algo a absorver, seja bom ou mau.
Infelizmente quando existe mágoa o desnorte assume o controlo e, ao invés de se aprender com o sucedido muitos buscam loucamente provar que o desfecho foi errado. ~
Que o sujeito é capaz de agir, fazer, pensar ou seja o que for que o mesmo acha que tem de demonstrar.
A superação pode até tomar o lugar da impotência e do falhanço mas no final de contas fazer algo por alguém que não por ti mesmo é completamente insignificante.
Mesmo passando a meta, o vazio que sentes aí dentro vira um buraco negro, sugando tudo à sua volta e expandindo até implodir.
Eu preguei uma vez algo que de seguida desrespeitei, erradamente.
"Não há vergonha nenhuma em que a nossa força resida naqueles que nos rodeiam".
Por circunstâncias da vida e uma mente fraca acabei por optar pela isolação.
Nenhum ser humano é capaz de arcar com toda poluição psicológica acumulada, por si só. Sem se tornar amargurado e desgostoso, isto é!
Hoje, depois de meia dúzia de batalhas vencidas com distinção posso dizer que realmente a vida não nos dá nada sem nos tirar algo em troca. E cuidado com isso. A vida não tem balança e o risco de te ser retirado algo de maior valor daquilo que te é dado pode ser desastroso e difícil de recuperar.
Com isto querendo dizer que é importante manter os nossos alicerces. Saber, não só o que queremos mas, o que é importante.

Costumava ser uma pessoa feliz, com uma enorme personalidade.
Por achar que deveria ser forte o suficiente para lidar com todos os meus problemas sozinho, acabei enraivecido. Raiva essa que representa o meu estado normal.

Não consigo mais ser a pessoa alegre, cheia de vida e amor para dar.
Quantas vezes afirmei que de tanto amor que tinha para dar e não conseguia, iria apodrecer e tornar-se em algo feio. Por insistência ou não, creio que acabou por acontecer e não é nada bonito.

Por mais escapes que tenha esta raiva parece não desaparecer e dói lutar contra isto. Afinal de contas não faz parte da minha natureza.


A ambição é muito importante na nossa vida mas é crucial saber distinguir ambição de ganancia.
Lutar por algo sem significado, lutar para outra pessoa, não faz sentido e não se perde apenas tempo.

Desabafos

Estou com medo.

Não quero que o sofrimento esteja presente seja de um lado ou de outro. 
Tenho também receio de estar a agir por carência o que não me permite ponderar com a maior clareza. Se bem que no final de contas acho que é preciso um pouco de imprevisibilidade. É daí que advém a experiência.

Estou sozinho há cerca de um ano. É algo que não me incomoda, principalmente por tudo o que aprendi, mas faz falta. Para o teu ego, para o teu bem-estar, para a tua sanidade mental.

Creio que o facto de trabalhar à noite também influencia todo este misto de sentimentos que se vai propagando. É essa uma das razões da minha saída. 

Quero voltar a ter uma vida.
Acima de tudo quero poder partilha-la com alguém.
Tenho medo de a conhecer bem e de gostar. Uma rapariga daquela idade tem ainda muito para viver e sei perfeitamente que a minha entrada na vida dela só irá perturbar esse caminho e, no final dessa perturbação o lesado serei eu.

Tudo isto me leva a concluir que realmente o ser humano consegue ser uma grande merda para si próprio. Deixa de viver com medo do que pode acontecer e ao mesmo tempo tem medo de não viver.

Tenho medo de voltar a abrir a porta, sentir a luz de um final de tarde que se faz passar pela manhã mas que em pouco tempo faz soar a brisa gélida da noite.

Os demónios da noite são meus conhecidos. Sentem o arrepiar de cada pêlo e logo se manifestam em forma de oxigénio, denso como a àgua, pesado como uma âncora e duradoura como as profundidades do céu.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Correr sem sair do mesmo lugar




Eu muitas vezes ponho-me a pensar com os meus botões na razão pela qual eu me bato tanto com a perda de uma pessoa na minha vida.
Neste caso específico falo de status, não necessariamente a nível presencial.

Sou uma pessoa muito dada e nunca quis admitir aquilo que venho aqui escrever porque acho de certa forma contra-natura e porque pode efetivamente ser mal interpretado.

Considero-me uma pessoa bastante pura em termos de relações humanas, não com isto querendo dizer que não corra por estas veias sangue contaminado de sentimentos ruins e ávidos, porque como está subentendido eu sou HUMANO. É normal e saudável sentir todo o tipo de fenómenos que um ser humano pode experienciar.
Com isto quero dizer que, quando me envolvo com uma pessoa ou, neste caso, quando deixo de me envolver com a mesma (verdade seja dita, principalmente a nível amoroso ou geralmente mais intimo) não me cinjo apenas ao sentimento.
A minha dor, a minha tristeza vão muito para além de algo tão inconstante como um sentimento.
Óbvio é, sem precisar de recorrer a teorias ou factos, que os sentimentos são facilmente alterados ou ultrapassados portanto não é essa a causa da minha angustia até porque já tenho maturidade suficiente para entender esta vida, ou pelo menos priorizar o seu conteúdo à minha medida.
Nesse sentido, sofrer isolada e intemporalmente por uma relação ou sentimento amoroso não consta na minha lista.

Quando há uma separação existe um choque térmico, independentemente do contacto posterior ser pouco, muito ou mesmo nulo. A pessoa efetivamente sente as mudanças de algo que podemos CONSIDERAR rotina.

Para mim é muito triste este tipo de acontecimentos, pelo simples facto de eu ser uma pessoa com energias positivas e portanto quando penso no que já foi, teoricamente falando, eu penso nas alegrias que essa pessoa me proporcionou, os bons momentos e tudo o que conste nessa linha de pensamento.

No geral, inevitavelmente, a ligação com essa pessoa quebra-se por completo e o mais triste é que dificilmente existe a maturidade ou capacidade (chamem-lhe o que quiserem) de ambas as partes para que um dia essa conexão possa ser restaurada.
Isto sempre falando em pensamentos felizes, o que não quer de maneira nenhuma dizer, materializando aquilo que estou a descrever, que estejamos a falar de uma relação cor de rosa das histórias de encantar.
Os casos podem ser de eventos horrendos e com mais baixos do que altos ao longo do caminho mas para pessoas como EU, esse tipo de "baixos" servem pura e simplesmente como experiência. Experiência essa da qual nos servimos para dar lugar à nossa superação, já outros decidem oprimir essas experiências e não saem do mesmo sitio. Mas vos garanto, essas pessoas, cobardes como são, podem fugir o quanto quiserem mas não sairão do mesmo lugar até enfrentarem o touro pelos cornos.

Nunca é agradável sentir DOR mas é sim gratificante, figurativamente falando, passar por ela. Analisando o termo "passar" constacto que sim, efetivamente passei por aquilo mas superei, terminou e eu aqui continuo, algo diferente, pela vivência e pela aprendizagem seja de que ordem for mas estou aqui. É assim que penso.

Perder a ligação com uma pessoa intimamente ligada à ti é tão triste como uma criança perder o brinquedo favorito, tão triste como tu chorares ao ver um filme romântico, como te sentires feliz ao presenciar ou ser o protagonista de uma boa acção. São comparações muito básicas mas não vejo nada mais NATURAL e GENUÍNO e quando um sentimento assim o é, logicamente que se torna complicado de gerir.

"Perder um ente querido", sim, perder um ente querido.
Para vocês esta expressão pode referir-se a um falecimento, pois para mim também. Creio que, embora na prática não seja assim, perder ou separar-se de uma pessoa por quem se nutre um sentimento mais forte é como que se a pessoa simplesmente desaparecesse da face da terra. A pessoa que conheci naquelas circunstancias, naquele status se estivermos a falar de uma relacionamento, já não mais existe porque as coisas mudaram, as condições mudaram.


É difícil superar esta realidade e mesmo eu, otimista como sou, posso dizer que no fundo, bem lá no fundo essas desilusões e mágoas ficam retidas bem cá dentro, por mais etapas que passem ou mesmo falando de TEMPO que creio ser algo subjetivo nesta matéria.

Se o relacionamento, no sentido literal da palavra, muda entre as pessoas envolvidas é porque algo não ficou resolvido, seja de uma parte, de outra ou mesmo de ambas. Mas isso é bom, entre aspas, visto que significa que foi real.
Significa que existe mágoa e a pessoa não nos é inteiramente indiferente.

Seja um ou mil tombos, doem sempre MAS também te ensinam sempre alguma coisa. A isso chama-se experiência de vida.

E nunca renegues aquilo que a pessoa já foi na tua vida pois tens de pensar que o que és hoje, ou o que serás (sim, porque te garanto que algo de positivo surgirá sempre para a tua vida a vários níveis).

Fugir do destino para quê?
Quem o faz não passa de um rato de estimação que volta e meia se monta na sua roda e corre sem sair do mesmo sitio.
É inevitável e quanto mais resistires mais dano causarás à tua própria pessoa. Aceita a dor, interioriza-a, supera-a e supera-te.
Não posso nunca garantir que sairás felicíssimo e calejado mas o teu pensamento deve sempre ecoar "pior que isto não ficará".
Perspetiva melhores tempos, melhores dias e pensa que quem saiu da tua vida teve a sua razão de ser e se ela saiu não te martirizes, foi efetivamente porque TINHA DE SER.

Foca-te em ti, foca-te na energia positiva. Pensa mas não penses muito, pois quem está num ciclo negativo não sai só por se debater internamente dizendo "pensa positivo!". Há que AGIR POSITIVAMENTE.
É isso que difere os vencedores dos ambiciosos.

Se estás a ler isto e estás deprimido, se estás a ler isto e queres dar o passo mas não consegues então ganha força. Sabe que entre os biliões de pessoas que já habitaram e habitam esta terra, muitos já passaram pelo que quer que estejas a passar.

E lembra-te que "DOS FRACOS NÃO REZA A HISTÓRIA". 


sábado, 26 de setembro de 2015

Não passou do esboço





Quando surge um novo amor, para um homem é como um abre olhos.
A visão altera, a perspetiva sucumbe à mudança, até a do homem mais gélido, insípido e amargo.
O mundo muda de cor e a primavera chega, manifestando-se através das borboletas na barriga, os pensamentos fluem como música, a tenacidade vem ao de cima como o azeite sobre a água, a força multiplica, os desejos intensificam-se...
Mas há algo que tarda em vincar no começo de uma relação, nomeadamente a atitude, o poder de decisão, o que e quanto estamos dispostos a sacrificar, o nosso esforço. Algo normal, que não deveria ser.

Puro como é o AMOR, não deveria ser tratado como um JOGO, um braço de ferro para determinar quem leva a melhor.
O amor só deve provocar egoísmo em prol dos DOIS.

Escusado será dizer que não é possível quantificar o AMOR, mas facto é que o sentimento é diferente em cada um dos intervenientes. A importância que um dá ao amor varia muito consoante a sua experiência de vida, os seus princípios, as suas ideologias, condicionado também, pelos medos, preconceitos, auto-estima...

Obviamente que, para que exista uma relação verdadeira e saudável, um precisa de amor próprio, respeito a si mesmo. Só assim poderá abraçar a sua metade.

Olho para os sujeitos e vejo, cada um como peças de um puzzle. Poderia dizer que nem todas as peças se encaixam, mas a minha noção é um pouco diferente.
Com o passar do tempo e contando experiências passadas, as peças são algo que, limadas, até se conseguirem encaixar, com o mesmo sujeito,
É exequível.

Mas então porque as relações falham quando o sentimento é verdadeiro?
Na minha opinião, a linha que separa o sucesso do fracasso é a capacidade e a limitação da mesma que cada um tem para lidar com os constantes obstáculos.
Encontrar um equilíbrio, isso sim acho impossível, mas uma relação não se rege pelo equilíbrio e sim pela capacidade de se levantar, aprender, fazer melhor e lutar.
Essas capacidades são infinitas quando existe cumplicidade, sinceridade e uma total abertura.
Não se coloca em questão a priorização, mas sim a entrega.
Não é necessário colocar de parte os nossos objetivos e obrigações para uma relação funcionar. É preciso sim, dar tudo!

Algo bonito nas relações é o facto de nada estar definido, nada ser previsível, tudo se constrói e é passível a mudanças, ou seja, o resultado final é e sempre será da autoria de quem trabalhou na mesma. Não há como atribuir culpa a terceiros.

Trágico é, quando os pilares não seguram o frontão.
Como se diz na gíria portuguesa, "pau que nasce torto nunca se endireita".



Antes que seja tarde, antes que me desfaças em pedaços e faças com que, na minha mente, as más memórias pesem mais que as boas, eu desisto. Desisto de algo que não tem futuro. Não vejo em ti a capacidade de lutar, ironicamente, sendo tu uma mulher guerreira. Esperei, em ultima instância que me provasses o contrario, como só tu sabes fazer, com PALAVRAS, mas nem assim. Sempre na defensiva e com medo de alguém que, no máximo, te atingiria com todo o seu SER, AMOR e AFETO.

 Desisto por amor, antes que tu desistas por cansaço. Não obstante à minha decisão, sabe que, foste sem dúvida a menina mais marcante da minha história.

Na caixa preta da minha memória, serás a gravação mais reveladora.
No índice da minha biografia, estarás a negrito, bem salientada.
Pena que o capítulo acabe a desvanecer, cheio de tristeza.

Com asterisco estará marcada a palavra felicidade mas referência de rodapé estará em branco, pois nem sei descrever o que sinto ao ver que não foste "capaz de mudar de continente por alguém que iria até ao fim do mundo por ti".

Existe ressentimento, o que me incomoda.
Existe da tua parte também, o que me incomoda.
Pois uma ferida mal curada pode causar DOR para o resto da vida.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A fantasia que permaneça fantasia.


Estar só e estar sozinho são coisas diferentes.
É sempre bom ter uma pessoa a teu lado que te faça sentir parte de algo, com quem possas ter uma certa intimidade e que te dê alguma estabilidade.
Mas é preciso reconhecer quando não se está apto para tais afinidades por simplesmente não existir um balanço emocional que te permita estar numa relação, seja ela séria ou não.
Independentemente disso, a tua mente precisa sempre de algo que a alimente, que a cative.
Por isso, inconscientemente procuramos sempre alguém.
Alguém que por mais que nada tenha a ver connosco ou não nos cative, nos dá uma estabilidade social, mesmo que abstrata e puramente psicológica.
Eu encontrei alguém assim e posso dizer que é reconfortante.
Uma paixoneta sem sentimento, um paradoxo, mas um com imenso sentido.
No intimo saber que tudo é real, mas ao mesmo tempo não se enquadra na realidade amorosa.
Mas é bom pensar que sim.
PENSAR.
Ilumina-me o dia quando a oiço rir das minhas modestas piadas.
Quando temos aquelas turras que gritam cumplicidade a cada gesto ou palavra.
É assim para mim, é assim aqui dentro.
Se é reciproco eu não sei, mas é essa a questão, não quero saber.
Sei que menos ou mais do que isto, não me iria satisfazer, estou contente assim.
Quando estou sob influência de psicotrópicos e não me aguento nas canelas de tanto rir e barafustar, gosto da maneira como a cada minuto ela desvia o olhar só para me ver, sorrir de leve e voltar-se de costas para mim.
Chega a ser irritante, mas não deixo de o querer.
Entre nós não há desabafos, não há conversas negativas, tirando o choque de personalidades, ambas implacáveis.
As tristezas não constam no lote dos temas de conversa, não sei dizer se é pelo à vontade ou falta dele, ou se porque simplesmente somos assim, fechados.
Mas é bom estar com alguém sem ter em perspetiva aquela hora do desabafo em que um dos dois tem de confortar o outro.
Anseio pelas folgas, para a ter comigo, embora como disse e repita pela décima vez, que não existam sentimentos amorosos em causa.
Da minha parte é um amor platónico, não correspondido.
Mas não me afecta, porque sei que ela gosta da minha presença, isso chega-me.
Não faço perguntas às quais não quero resposta.
Pela primeira vez, encontrei alguém cujo compromisso é inexistente e a vontade de o ter é nula, mas o resultado do convívio é colorido e jovial.
Embora platónico, não deixo de imaginar os amassos que lhe dava.
O mais perto que cheguei dos teus lábios foi a partilhar um cigarro com ela.
Mas ver aqueles lábios dispersos, cheios de graça, provocadores e cheios de cor.
O beijo que tanto quero toca em replay vezes sem conta no subconsciente, embora seja difícil de imaginar algo que de tantas maneiras pode ocorrer, mas que não será uma realidade, nem quero que seja. É bom imaginar, é saudável e chega.

E aqueles olhares...
Aqueles olhares que de tão naturais e sem intenção, me deixam desnorteado mas em sentido.
Pois saber que não os posso beijar só me dá mais vontade de olhar.
A tentação é arrebatadora, mas a lucidez é maior.
Esta fantasia, fantasia que vivo real e intensamente, é como um sonho, daqueles que te fazem querer cochilar eternamente.
É algo tão simples e ao mesmo tempo tão enriquecedor que me pergunto porque apenas descobri isto agora.
São dois dias da semana, são dois dias que me valem por mil.